O Instituto Espinhaço realizou, no dia 15 de outubro, uma agenda de reuniões institucionais na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em Paris, com o objetivo de apresentar suas iniciativas, compartilhar experiências e ampliar as possibilidades de cooperação internacional. Os encontros foram conduzidos pelo presidente da instituição, Luiz Oliveira, e envolveram representantes de diferentes áreas da organização, aproximando iniciativas brasileiras de conservação da biodiversidade, desenvolvimento socioambiental, produção científica e inclusão social de agendas de alcance internacional.
A programação incluiu reuniões com Denise Pires de Carvalho, Diretora-Geral Adjunta para Ciências da UNESCO, e Gustavo Merino, diretor da Divisão de Políticas Sociais do Setor de Ciências Sociais e Humanas da organização. Também participou da agenda Antônio Abreu, diretor da Divisão de Ciências Ecológicas e da Terra da UNESCO e secretário do Programa Homem e a Biosfera (MaB).
As reuniões permitiram apresentar a trajetória do Instituto Espinhaço, suas frentes de atuação e iniciativas desenvolvidas em articulação com redes, instituições científicas e parceiros nacionais e internacionais. Entre os temas abordados estiveram a Reserva da Biosfera do Cerrado, a Rede de Reservas da Biosfera da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Rede CPLP-MaB), os sítios demonstrativos de ecohidrologia do Instituto e a revista científica Peabiru. A agenda também incluiu convites para a participação dos representantes da UNESCO em conferências previstas para 2027, no Brasil.
Ciência e conservação
Na reunião com Denise Pires de Carvalho, Diretora-Geral Adjunta para Ciências da UNESCO, Luiz Oliveira apresentou as principais frentes de atuação do Instituto Espinhaço e iniciativas relacionadas à conservação da biodiversidade, à pesquisa e à cooperação entre territórios.
Entre os assuntos discutidos estiveram a Reserva da Biosfera do Cerrado, a Rede CPLP-MaB, os sítios demonstrativos de ecohidrologia do Instituto Espinhaço e a revista científica Peabiru. A reunião também foi uma oportunidade para apresentar a atuação do Instituto na articulação de iniciativas que aproximam conhecimento científico, conservação ambiental e desenvolvimento socioambiental.
A ecohidrologia, campo de conhecimento que estuda as relações entre os processos ecológicos e hidrológicos, integra essa agenda ao contribuir para a compreensão das interações entre água, solo, vegetação e ecossistemas. A apresentação dos sítios demonstrativos do Instituto insere-se no esforço de compartilhar experiências e conhecimentos relacionados à dinâmica ambiental e à gestão sustentável dos recursos naturais.
A reunião também contemplou a apresentação da Reserva da Biosfera do Cerrado e da Rede CPLP-MaB, iniciativas que contribuem para conectar territórios, instituições e experiências em torno da conservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável.
Ao final da agenda, Denise Pires de Carvalho foi convidada a participar das conferências de Ecohidrologia e das Humanidades, previstas para 2027, no Brasil.
Sua nomeação para a Diretoria-Geral Adjunta da UNESCO também confere relevância institucional ao encontro. Trata-se de um marco para a presença brasileira na estrutura de direção da organização, com a chegada de uma brasileira a uma posição dessa natureza em mais de oito décadas de história da ONU.
Cooperação entre países de língua portuguesa
Um dos temas apresentados durante a agenda foi a Rede de Reservas da Biosfera da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, conhecida como Rede CPLP-MaB. Vinculada ao campo de cooperação do Programa Homem e a Biosfera da UNESCO, a rede aproxima reservas de países de língua portuguesa e cria oportunidades para o intercâmbio de experiências, conhecimentos e práticas de gestão territorial.
A iniciativa reúne territórios marcados por grande diversidade ecológica e cultural. Ao conectar países e reservas em diferentes continentes, a rede favorece o diálogo sobre desafios comuns, como a conservação da biodiversidade, as mudanças climáticas, a gestão dos recursos naturais, a segurança hídrica e a promoção de alternativas sustentáveis para as populações locais.
O Programa Homem e a Biosfera, conhecido internacionalmente pela sigla MaB, busca fortalecer a relação entre as pessoas e o meio ambiente. No âmbito desse programa, as Reservas da Biosfera funcionam como territórios de referência para conciliar a conservação dos ecossistemas com o desenvolvimento econômico e social, apoiando iniciativas de pesquisa, educação, monitoramento ambiental e participação comunitária.
O Instituto Espinhaço participa dessa articulação por meio de sua atuação junto à Reserva da Biosfera do Cerrado e às redes de cooperação lusófonas. Em março de 2026, a instituição participou da organização do IV Encontro da Rede CPLP-MaB, realizado na região da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Na ocasião, a Reserva da Biosfera do Cerrado assumiu a presidência da rede, sob a liderança de Luiz Oliveira, ampliando a responsabilidade do Instituto na articulação entre os territórios participantes.
A apresentação da Rede CPLP-MaB à direção da UNESCO em Paris integra esse esforço de fortalecer a interlocução internacional e dar visibilidade às possibilidades de cooperação entre países que compartilham a língua portuguesa, mas também uma diversidade de paisagens, culturas e experiências de gestão ambiental.
Ciências Sociais e Humanas
A agenda institucional também incluiu uma reunião com Gustavo Merino, diretor da Divisão de Políticas Sociais do Setor de Ciências Sociais e Humanas da UNESCO. Nesse encontro, o presidente Luiz Oliveira apresentou o Instituto Espinhaço e suas ações sociais, destacando a dimensão humana e territorial de sua atuação.
A interlocução com a área de políticas sociais amplia o alcance da agenda institucional ao incorporar questões relacionadas à inclusão, ao desenvolvimento das comunidades e à relação entre conhecimento e políticas públicas. Esses temas dialogam com a perspectiva de desenvolvimento socioambiental defendida pelo Instituto, na qual a conservação da natureza está associada às condições de vida das populações e às oportunidades de desenvolvimento nos territórios.
O trabalho de organizações que atuam diretamente nas comunidades também pode contribuir para aproximar a formulação de agendas institucionais da realidade local. Experiências territoriais, conhecimentos produzidos em campo e iniciativas de participação social oferecem elementos importantes para o debate sobre desenvolvimento sustentável, redução das desigualdades e fortalecimento das capacidades locais.
Durante a reunião, Gustavo Merino foi convidado a participar da Conferência das Humanidades, prevista para setembro de 2027, em Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais. O convite busca aproximar a agenda internacional de debates sobre as humanidades das experiências e discussões desenvolvidas no território onde nasceu o Instituto Espinhaço.
A realização da conferência na cidade mineira também estabelece uma conexão entre a trajetória local da instituição e sua atuação internacional. A partir de Conceição do Mato Dentro, o Instituto construiu uma agenda que articula conservação ambiental, cultura, conhecimento e desenvolvimento socioambiental, mantendo o território como referência de sua identidade institucional.
Cooperação internacional com raízes nos territórios
A agenda do Instituto Espinhaço na sede da UNESCO representa um desdobramento de uma trajetória construída a partir da mobilização social em torno da Serra do Espinhaço e ampliada por meio de projetos, parcerias e redes de cooperação.
Ao apresentar iniciativas de conservação, pesquisa, ecohidrologia, produção científica e desenvolvimento social, o Instituto buscou compartilhar experiências brasileiras e fortalecer o diálogo com diferentes áreas da organização. As duas reuniões também evidenciaram a abrangência de uma atuação que conecta questões ambientais a dimensões sociais, culturais e humanas.
A cooperação internacional constitui uma oportunidade para aproximar instituições, compartilhar conhecimentos e identificar possibilidades de trabalho conjunto. Nesse processo, a experiência acumulada nos territórios brasileiros pode contribuir para discussões mais amplas, ao mesmo tempo que o diálogo com organismos internacionais favorece a circulação de ideias e práticas entre países e instituições.
Com raízes em Conceição do Mato Dentro e atuação que ultrapassa as fronteiras nacionais, o Instituto Espinhaço segue desenvolvendo sua agenda de articulação institucional, buscando aproximar ciência, conservação da biodiversidade, cultura e desenvolvimento socioambiental. A agenda em Paris integra esse percurso e dá continuidade ao trabalho de construção de parcerias voltadas aos desafios da sustentabilidade e ao futuro dos territórios.
Trajetória que conecta território, conservação e desenvolvimento
A relação do Instituto Espinhaço com a UNESCO está ligada às origens da própria instituição. Sua trajetória tem como referência o processo de mobilização social que levou ao reconhecimento da Serra do Espinhaço como Reserva da Biosfera, em 2005. A partir desse movimento, consolidou-se a proposta de articular a conservação do patrimônio natural e cultural ao desenvolvimento dos territórios e à participação das comunidades.
Fundado em Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais, o Instituto Espinhaço é uma associação civil sem fins lucrativos que atua nos campos da biodiversidade, da cultura e do desenvolvimento socioambiental. Ao longo de sua trajetória, a instituição ampliou sua presença para além de suas raízes mineiras, desenvolvendo projetos e articulações em diferentes regiões do Brasil e estabelecendo conexões internacionais.
Sua atuação parte do entendimento de que a conservação ambiental e o desenvolvimento humano devem ser tratados de maneira integrada. A recuperação de ecossistemas, a proteção da água, a valorização dos conhecimentos tradicionais, a produção e a difusão de conhecimento científico e o envolvimento das comunidades constituem dimensões complementares de um trabalho voltado à sustentabilidade dos territórios.
É nesse contexto que se insere a aproximação institucional com a UNESCO. A agenda em Paris permitiu compartilhar experiências construídas no Brasil e estabelecer interlocução com áreas da organização que trabalham com ciência, políticas sociais, inclusão e desenvolvimento sustentável.
