Uma pesquisa desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Espinhaço identificou 31.455 hectares de áreas prioritárias para restauração ambiental na Bacia do Rio Urucuia, que abrange 14 municípios. O estudo apresenta uma metodologia para identificar áreas em que as ações de restauração podem contribuir para a conservação do solo e dos recursos hídricos, oferecendo subsídios técnicos ao planejamento do Projeto Pró-Águas Urucuia.

Os resultados foram publicados em 21 de outubro de 2026 na revista científica Sustainability, no artigo Prioritization of Watershed Restoration Areas Using Hydrologic, Environmental, and Socioeconomic Criteria: Model Development and Field Validation. A pesquisa tem como autores Henrique Marinho Leite Chaves e Maria Rita Souza Fonseca, da Universidade de Brasília, e Luiz Claudio Ferreira de Oliveira e Sérgio Nésio, diretores do Instituto Espinhaço. O estudo foi financiado pelo Instituto.

Identificar as áreas mais importantes para a restauração

A degradação ambiental em bacias hidrográficas pode provocar erosão do solo, aumento do transporte de sedimentos para os rios, redução da infiltração da água no solo e comprometimento da recarga dos aquíferos. Esses processos afetam o funcionamento dos sistemas hídricos e reforçam a importância de identificar os locais em que a restauração pode gerar maiores benefícios ambientais.

Para apoiar esse processo na Bacia do Rio Urucuia, os pesquisadores desenvolveram um modelo multicritério que combina informações hidrológicas, ambientais e socioeconômicas. A metodologia considera fatores como o escoamento superficial da água, o potencial de erosão do solo e de transporte de sedimentos, o uso e a cobertura da terra e as prioridades de degradação ambiental apontadas nos municípios.

O objetivo é identificar áreas candidatas ao projeto que apresentem condições favoráveis à restauração e maior potencial de contribuição para a quantidade e a qualidade da água na bacia hidrográfica.

A pesquisa também incorporou informações de um levantamento realizado com 50 participantes dos 14 municípios abrangidos pelo estudo. As contribuições ajudaram a incluir as prioridades locais de recuperação ambiental na análise, aproximando o modelo das condições e necessidades identificadas no território.

Mais de 31 mil hectares identificados

O mapeamento identificou 31.455 hectares como áreas prioritárias para ações de restauração. Entre as características associadas a esses locais estão terrenos com maior declividade, solos mais suscetíveis à erosão e menor cobertura vegetal. Áreas ocupadas por pastagens e agricultura, além de locais com solo exposto, também foram consideradas na análise.

A área identificada corresponde a aproximadamente 15 vezes a meta de restauração de 2 mil hectares prevista pelo Projeto Pró-Águas Urucuia. O resultado amplia o conjunto de áreas que podem ser avaliadas para receber intervenções e oferece uma base técnica para orientar o planejamento das ações.

Isso não significa, porém, que todos os hectares mapeados serão restaurados. A definição dos locais de intervenção depende de outras avaliações, incluindo o interesse dos proprietários rurais, a situação fundiária, os custos, a logística e as prioridades institucionais.

Validação em campo

Para avaliar a capacidade do modelo de identificar áreas prioritárias, os pesquisadores realizaram uma validação em 40 locais: 20 classificados como prioritários e 20 classificados como não prioritários. O procedimento apresentou uma precisão de 90%.

Os resultados também foram discutidos em uma oficina com 50 participantes, entre gestores da bacia, profissionais de assistência técnica e extensão rural e produtores rurais. Segundo o estudo, as áreas indicadas pelo mapeamento apresentaram correspondência com o conhecimento local sobre as condições ambientais da região.

A verificação em campo e a participação de pessoas que atuam no território contribuíram para avaliar a aplicação do modelo como ferramenta de apoio à tomada de decisão. A metodologia reúne, assim, critérios técnicos e informações locais para auxiliar na identificação de áreas com maior potencial para receber ações de restauração.

Contribuição para o Pró-Águas Urucuia

Com a meta de promover a restauração de 2 mil hectares, o Projeto Pró-Águas Urucuia busca contribuir para a conservação dos recursos hídricos da região. O modelo apresentado no artigo oferece subsídios para selecionar áreas com condições hidroambientais e socioeconômicas favoráveis, buscando potencializar os benefícios das intervenções para a bacia.

A ferramenta não substitui a avaliação necessária para a escolha final dos locais, mas permite organizar informações e orientar as decisões sobre onde concentrar os esforços de restauração.

Os pesquisadores também apontam que a metodologia pode ser adaptada a outras bacias hidrográficas tropicais e subtropicais, desde que sejam realizados os ajustes e os processos de validação necessários para cada realidade.

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Apresentação do estudo em Arinos

O artigo será apresentado no encontro Nove Contos de CAR em Sagarana, previsto para o dia 11 de novembro, em Arinos, Minas Gerais. A apresentação permitirá compartilhar a metodologia e os resultados da pesquisa com o público participante do encontro.

A publicação contribui para ampliar o acesso ao conhecimento científico aplicado ao planejamento ambiental e à restauração de bacias hidrográficas.

Leia o artigo completo gratuitamente: Prioritization of Watershed Restoration Areas Using Hydrologic, Environmental, and Socioeconomic Criteria: Model Development and Field Validation.

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